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Stress o mal do século


 

A palavra Stress tem origem no idioma inglês e relaciona-se a ideia de pressão. O uso deste termo, associado as questões de saúde física e mental, por outro lado, está ligado historicamente a 1ª Guerra Mundial (1914-1918). Neste grande conflito armado, soldados de ambos os lados (Tríplice Aliança x Tríplice Entente), ficaram durante meses estacionados em trincheiras, sujeitos a ataques inimigos, ao lançamento de bombas e granadas, tiroteios diários, as intempéries e variações do clima (que iam do calor escaldante do verão ao rigoroso inverno europeu), a doenças, ao contato com ratos e outros bichos, a fome, a doenças variadas… O término da guerra e o retorno para casa fez com que surgisse a imediata associação entre as condições de extrema pressão sob a qual viveram os soldados e as neuroses e demais psiquismos que apresentavam depois de findo o conflito.

Todo o nervosismo e tensão da guerra, aos poucos foi sendo também sentido por expressivas parcelas da população no novo cotidiano que se estabeleceu a partir do século XX. Grandes e médias cidades foram se desenvolvendo. Produção industrial ininterrupta. Comércio com os quatro cantos do mundo. Necessidade de ampliar negócios e lucros. Alta rotatividade das pessoas, indo de um lugar para outro, mudando a perspectiva de vida local que existia anteriormente para uma realidade global. Competição acirrada entre as empresas. Trânsito e demais vias de deslocamento cada vez mais lotadas. Alimentação na rua. Famílias em segundo plano… Todos estes aspectos, em intensidade nunca antes vivida pela população do planeta, passaram a ser diariamente realidade para a maioria da população. Com isso, o Stress foi se consolidando, dia após dia, como o mal do século (e continua assim após a virada para o 3° milênio, com a entrada do século XXI).

A necessidade de conseguir mais dinheiro, atingir níveis de conforto e status social e material elevados, manter-se num bom emprego, trabalhar em dois ou mais lugares para conseguir melhor rendimento, prover a família com bens materiais cujo consumo é estimulado pela mídia, competir com outros por melhores oportunidades profissionais, viver a maior parte do dia no trabalho e longe da família, alimentar-se de forma irregular e desequilibrada e o sedentarismo, entre outros fatores, constituem elementos que certamente encaminham alguém para o stress.

São características marcantes que evidenciam o surgimento do stress na vida de uma pessoa: dores de cabeça cada vez mais frequentes, nervosismo, mau humor, cansaço, dores no corpo, insônia, úlceras, aceleramento cardíaco, descargas excessivas de adrenalina, depressão, tristeza…

O advento do novo milênio e o surgimento de tantas tecnologias que impactaram a existência das pessoas que, a princípio, poderiam dar a impressão de que a vida iria ficar mais fácil, acabaram tornando ainda mais tenso o cotidiano de milhões de pessoas em todo o mundo. Não há mais possibilidade de se desligar do mundo, em qualquer lugar do planeta é possível ser encontrado. Telefones celulares, computadores pessoais e a internet acabaram com qualquer tipo de barreira e, com isso, fizeram com que qualquer indivíduo possa ser acessado sem nenhuma dificuldade.

Um jovem executivo, por exemplo, contava todo feliz para alguns amigos que havia acabado de receber da empresa multinacional em que trabalhava um novíssimo aparelho de telefonia celular, modelo smartphone, cujo valor era equivalente a mais de 1 mil dólares. Um dos seus interlocutores, ainda estudante, com 16 anos, disse-lhe então: “Como ficou barato para a empresa na qual trabalha fazer com que você esteja a disposição deles 24 horas por dia, não é mesmo?”. Referia-se ao fato de que, com tal recurso, ele poderia receber ligações, torpedos ou e-mails a qualquer momento do dia, inclusive em suas horas de descanso e lazer…
Quem aguenta esta carga brutal de trabalho, cobrança, alimentação desregulada, falta de exercícios e cuidados com o corpo e distância da família? Estão aí, como se percebe, os fatores que levaram o stress a ser considerado o mal do século e o principal fator de doenças e mortes em vários países do mundo, como os Estados Unidos e o Brasil, por exemplo.

O que fazer? É preciso rever suas prioridades. Refazer o mapa de sua vida. Escolher uma vida mais simples. Diminuir o ritmo. Dar mais tempo para a família. Guardar horários para cuidar de si, fazendo exercícios e mantendo uma boa alimentação (além de visitar com regularidade os médicos para averiguar sua saúde). Permitir-se o lazer. Trabalhar para viver e não o contrário…

Depois de uma crise de apendicite, gerada por trabalho excessivo, que o levou para a mesa de cirurgia, o jovem profissional voltou ao médico para uma nova consulta. Ia tirar os pontos e verificar o que deveria fazer para evitar novos problemas. O médico então lhe disse: “Sei que você, como qualquer outra pessoa, não pode deixar de trabalhar. É preciso, no entanto, que diminua o ritmo para cuidar melhor de sua saúde. Para tanto, pratique esportes ou algum tipo de atividade física, alimente-se melhor e, não tenha tanta pressa. Se tem compromissos importantes, programe-se com antecedência para não ter que ficar correndo para lá e para cá, subindo apressadamente as escadas… Crie um ritmo mais cadenciado para sua vida.”

As pessoas estão resolvendo o problema tendo que optar entre, muitas vezes, uma conta bancária mais recheada ou uma vida mais modesta e, para a surpresa de tanta gente, a opção pela segunda alternativa está sendo cada vez maior. Menor endividamento, distância dos grandes e médios centros urbanos, opção por uma vida marcada por menor necessidade material (refutando o que lhes é acentuadamente oferecido pelos meios de comunicação de massa), tempo para brincar com os filhos, superar o sedentarismo, alimentar-se melhor, ir ao cinema, ouvir música, ler livros…

Afinal de contas, você quer ou não viver mais tempo? A decisão é sua…

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

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